Decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que alertou para o risco de fuga após apontamento sobre a proximidade da residência do ex-presidente com a Embaixada dos EUA.
Por Jardel Cassimiro Correio 101
BRASÍLIA – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja monitorado 24 horas por dia pela Polícia Penal durante sua prisão domiciliar. A decisão, que impõe uma vigilância ininterrupta na área externa da residência de Bolsonaro, foi uma resposta direta a uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A preocupação central que motivou o pedido da PGR e a subsequente autorização de Moraes é um potencial risco de evasão. A questão ganhou destaque após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicar um vídeo em suas redes sociais chamando a atenção para um detalhe geográfico crucial: a curta distância entre a casa de Bolsonaro, localizada no bairro nobre do Lago Sul, em Brasília, e a Embaixada dos Estados Unidos. Segundo Farias, o trajeto poderia ser percorrido em aproximadamente 10 minutos.
No vídeo, o parlamentar argumentou que a proximidade com uma representação diplomática estrangeira representaria uma rota de fuga viável para o ex-presidente, que poderia buscar asilo político para evitar as consequências dos processos judiciais que enfrenta. "É uma situação que exige a máxima atenção das auto
ridades. Não podemos subestimar o risco de uma tentativa de evasão para escapar da Justiça", declarou Farias na publicação.
A Procuradoria-Geral da República acolheu a preocupação levantada pelo deputado e formalizou o pedido ao ministro Moraes, relator das principais investigações que miram o ex-presidente no STF, incluindo as que apuram a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro e a falsificação de cartões de vacina. No documento enviado ao tribunal, a PGR sustentou que a vigilância contínua é uma medida "necessária e adequada" para garantir a eficácia da ordem judicial e mitigar qualquer possibilidade de fuga.
Ao acatar o pedido, o ministro Alexandre de Moraes determinou que agentes da Polícia Penal do Distrito Federal sejam posicionados estrategicamente no perímetro externo da residência de Bolsonaro. A vigilância será constante, com equipes se revezando para assegurar que o ex-presidente permaneça no local. A medida representa um endurecimento nas condições da prisão domiciliar, refletindo a crescente preocupação das autoridades com os desdobramentos dos processos contra ele.
A defesa de Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nova determinação. A medida, no entanto, adiciona mais um capítulo à tensa saga jurídica do ex-mandatário, que nega todas as acusações e se diz vítima de perseguição política. A decisão de Moraes sinaliza que o Judiciário está adotando uma postura de tolerância zero diante de qualquer movimento que possa ser interpretado como uma tentativa de obstruir a Justiça.
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