Família acusa hospital em Arapiraca de negligência ao liberar Yasmin Rodrigues, de 16 anos, que estava em trabalho de parto e deu à luz em casa horas depois. O caso levanta um debate urgente sobre o atendimento a gestantes de alto risco no estado.
Por Jardel Cassimiro CORREIO 101
ARAPIRACA, Alagoas — Uma comunidade no interior de Alagoas está em luto e busca por respostas após a morte trágica de uma adolescente de 16 anos e sua filha recém-nascida. Yasmin Rodrigues da Silva, uma gestante de alto risco, deu à luz em sua casa, na cidade de Lagoa da Canoa, e perdeu a bebê logo após o parto, na última segunda-feira, dia 11 de agosto. A jovem mãe faleceu no dia seguinte. A família alega que a tragédia poderia ter sido evitada se o devido atendimento médico tivesse sido prestado.
Yasmin Rodrigues era portadora de anemia falciforme, uma condição genética do sangue que exige acompanhamento médico rigoroso durante a gestação. A doença aumenta drasticamente os riscos de complicações graves, como parto prematuro, pré-eclâmpsia, baixo peso do bebê e crises de dor intensas, representando uma ameaça tanto para a mãe quanto para o feto.
Com oito meses de gestação, a adolescente entrou em trabalho de parto e buscou ajuda no Centro de Parto de sua cidade, Lagoa da Canoa. Reconhecendo a gravidade do caso, a equipe local a transferiu para uma unidade mais equipada, o Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca, referência na região.
No entanto, o que deveria ser um procedimento seguro de internação para uma paciente de alto risco teve um desfecho inesperado. Segundo o relato de parentes, apesar de Yasmin se queixar de fortes e contínuas dores, características do trabalho de parto, a equipe médica do Hospital Regional a liberou, mandando-a de volta para casa.
Horas após a alta, a situação se agravou dramaticamente. Incapaz de retornar a tempo para um hospital, Yasmin deu à luz sua filha, que se chamaria Yris Valentina, no quarto de sua própria casa. A bebê nasceu com vida, mas faleceu poucos instantes depois. O estado de saúde de Yasmin deteriorou-se rapidamente após o parto domiciliar e, na terça-feira (12), ela também não resistiu e veio a óbito.
A família está desolada e clama por justiça. Para eles, a decisão de liberar uma gestante com um quadro clínico tão delicado e em claro trabalho de parto constitui um ato de negligência que custou duas vidas.
O caso levanta sérios questionamentos sobre os protocolos de atendimento a gestantes de alto risco na rede pública de saúde de Alagoas. A anemia falciforme é uma condição que demanda atenção especializada, e a liberação de uma paciente nessas circunstâncias é um ponto central que deverá ser investigado.
Até o momento, a direção do Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho não emitiu uma declaração oficial detalhada sobre os procedimentos adotados no atendimento de Yasmin Rodrigues da Silva. A comunidade e a família aguardam uma investigação rigorosa por parte das autoridades de saúde para apurar as responsabilidades e garantir que uma tragédia como essa não se repita.
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